Saúde em Primeiro Lugar

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Remédios que atacam os Rins





Os rins são os principais órgãos responsáveis pela filtração e eliminação de substâncias tóxicas que circulam no sangue.

Vários medicamentos usados frequentemente na prática médica, que podem causar lesão renal se forem usados de modo inapropriado. Damos o nome de fármacos nefrotóxicos a todos os medicamentos que apresentam potencial risco de causar lesão nos rins.

Anti-inflamatórios


O principal efeito maléfico dos AINES é a redução da filtração renal, ou seja, da capacidade dos rins em filtrar o sangue.

O anti-inflamatório é, portanto, uma droga contra-indicada em pacientes com insuficiência renal.

Outra lesão relacionada aos anti-inflamatórios é a nefrite intersticial, uma espécie de reação alérgica localizada no rim. A nefrite intersticial pode ser causada por várias drogas além dos anti-inflamatórios e se apresenta principalmente como uma insuficiência renal aguda, com rápida elevação da creatinina.

AAS

O AAS também é um anti-inflamatório e deve ser usado com cautela em pacientes com doenças renais.

Antibióticos


Os antibióticos também são causa de nefrite intersticial. Diferentemente da nefrite pelos anti-inflamatórios, no caso dos antibióticos a proteinúria é pequena, mas outros sintomas como febre e manchas vermelhas pelo corpo associado a insuficiência renal aguda, ocorrem com maior frequência.

Vários antibióticos podem causar nefrite intersticial, principalmente as penicilinas, rifampicina, ciprofloxacino e trimetoprim/sulfametoxazol (Bactrim®).

Alguns antibióticos são nefrotóxicos por natureza e devem ser evitados em doente renais crônicos. Os mais comuns são:

- Aminoglicosídeos (ex: Gentamicina, Amicacina, Estreptomicina, Tobramicina e Neomicina).

- Anfotericina B.

- Pentamidina.

Analgésicos

A lesão renal renal pelo uso prolongado de analgésicos era muito comum até a década de 80, e caiu vertiginosamente após a retirada da Fenacetina do mercado. Hoje, as lesões relacionadas aos analgésicos são causados pelo uso diário e prolongado (por meses ou anos) do Paracetamol, principalmente se associado ao ácido acetilsalicílico (AAS).

A dipirona é muito pouco usada em vários países da Europa e nos EUA, por isso existem poucos estudos sobre seu toxicidade renal. Aparentemente, esse analgésico é uma opção segura para os pacientes com doença renal.

Antipsicóticos


Um estudo publicado em 2014 com 200 mil indivíduos com idade acima de 64 anos mostrou que os pacientes idosos que tomam quetiapina, olanzapina ou risperidona, um grupo de fármacos chamado antipsicóticos atípicos, apresentaram um risco duas vezes maior de hospitalização por lesão aguda do que os pacientes da mesma idade que não tomam nenhum dos três medicamentos.

Outros medicamentos

- Lítio: usado principalmente no distúrbio bipolar ( antigo distúrbio maníaco-depressivo).

- Aciclovir: antiviral.

- Indinavir: antirretroviral usado na SIDA (AIDS).

- Ciclosporina: imunossupressor usado em transplantes e doenças autoimunes.

- Tacrolimus: igual à ciclosporina.

- Ciclofosfamida: imunossupressor usado em doenças autoimunes e algumas neoplasias.

Corticoides

Os anti-inflamatórios hormonais ou corticoides são medicamentos à base de hormônios que são produzidos pelas glândulas supra-renais. O uso indiscriminado destes medicamentos podem causar lesão renal.

Os principais corticoides de ação sistêmica vendidos no Brasil são: Prednisona, Dexametasona, Betametasona, Budesonida, Hidrocortisona, Deflazacorte, Triancinolona, Clobetasol.

Outro efeito colateral dos Corticoides é o edema(retenção de líquidos). Os corticoides promovem aumento da reabsorção de Na+ e excreção de K+ pelo rim.

Altas doses por tempo prolongado podem produzir alcalose metabólica hipocalêmica. Os glicocorticoides aumentam o "clearance" de água livre devido a um efeito direto no túbulo renal e a um aumento na taxa de filtração glomerular.

Os corticoides podem também inibir a secreção de hormônio antidiurético (ADH), mas não se sabe se diretamente ou por algum mecanismo indireto.

Vitamina C


É bom ter muito cuidado com o uso excessivo de vitamina C, pois dose muito alta desta vitamina aumenta o risco de efeitos indesejáveis, inclusive provoca depósito de oxalato de cálcio, necrose tubular aguda e/ou insuficiência renal (mau funcionamento dos rins).

Indivíduos com insuficiência renal (mau funcionamento dos rins) devem consultar um médico ou profissional de saúde antes de tomar doses altas de vitamina C.

Pacientes com insuficiência renal grave ou terminal (sob diálise) não devem exceder uma dose diária de 100 mg de ácido ascórbico, devido ao risco de formação de cálculos urinários.

Suplementos de Cálcio


O uso constante de cálcio pode provocar hipercalcemia. O cálcio aumenta risco de cálculos nos rins em quem tem predisposição à formação de pedras. Nem todo cálcio ingerido é absorvido pelos ossos e, com o excesso da substância na corrente sanguínea, ela é direcionada para o rim, a fim de ser expelida. Entretanto, com a alta quantidade do mineral no rim, ocorre a calcificação, originando as pedras.


Com informação de MDSAUDE

Eliminando gordura e toxinas - Sucos Funcionais - Detox



As frutas e verduras são fontes de fitoquímicos e nutrientes como minerais e vitaminas, estes alimentos regulam processos do organismo, ajudam na transmissão dos impulsos nervosos, contração muscular e equilíbrio acidobásico.

As frutas e verduras apresentam substâncias com ação medicinal. Umas são adstringentes, emolientes, algumas têm funções gástricas, ativam as funções intestinais e desintoxicam o organismo.

Nos sucos naturais encontramos diversos nutrientes que se complementam, contribuindo para uma dieta balanceada e para a prevenção de diversas doenças.

Modo de Preparo dos Sucos Naturais


Os sucos devem ser feito no liquidificador sem colocar água.

Tome um copo em jejum até às 10h, um copo meia hora antes do almoço e outro antes do jantar.

Para não enjoar do sabor, varie o suco, pois todos são desintoxicantes e têm benefícios diferentes.

Sucos para aumentar as defesas do organismo

1. Suco verde da Camila Pitanga

2 maçãs + 1 cenoura + 1 talo da aipo (salsão) + 1/3 de maço de hortelã

2. Pepino, maçã e couve - Da brilho aos cabelos 

1 pepino pequeno + 1 maçã grande sem semente + 2 folhas de couve + 1 punhado de semente germinada*

3. Cenoura e espinafre - Favorece o bronzeado


2 maçãs sem semente + 1 pepino + 1 cenoura + 1 punhado de espinafre + 1 punhado de semente germinada*

4. Melancia e couve

1 xícara de melancia picada + 1 maçã sem semente + 1 inhame cru pequeno sem casca + 1 folha de couve + 1 punhado de semente germinada*

5. Maçã e beterraba - Melhora a concentração

2 maçãs sem semente + 1 beterraba + 1/2 maço de hortelã + 1 punhado de semente germinada*

* Como germinar a semente: Coloque de uma a três colheres (sopa) de grãos (soja, arroz e aveia) ou de sementes (girassol ou linhaça) em um vidro e encha-o com água limpa. Cubra-o com pano e prenda com elástico. Deixe de molho por 8 horas. Despeje a água e enxágue sob a torneira. Deixe o vidro inclinado em um escorregador, na sombra. Enxágue pela manhã e à noite. O processo dura 24 horas.

Sucos para eliminar toxinas


1. Banana e mamão - Engana a fome 


1 copo de água de coco + 1 banana-maçã + 1/2 mamão papaia + 1 colher (sopa) de linhaça

2. Cenoura e alface


4 a 5 cenouras + 1 pedaço (100 g) de repolho + 7 a 8 folhas de alface

3. Maçã e repolho - Melhora o sono

5 cenouras + 1/4 de repolho verde pequeno + 1/2 maçã

4. Couve e cenoura

5 a 6 cenouras + 4 folhas de couve + 4 galhinhos de salsinha + 1/2 maçã

5. Pepino e laranja lima

1 cenoura grande + 2 dedinhos de raiz de gengibre + 1 pepino + 2 folhas de couve manteiga + 1 laranja lima


6. Melancia e uva - Hidrata o organismo 

2 fatias de melancia + 1 laranja sem casca + 2 cachos pequenos de uvas verdes + hortelã

VITAMINA COM AVEIA

Ingredientes:

- ½ litro de leite gelado (500 ml)

- 3 colheres de aveia

- 10 morangos picados

- 1 banana cortada em rodela

- 1 pêssego picado sem a pele

- Mel para adoçar

Modo de Preparar:

- Bata bem todos os ingredientes no liquidificador.

Fonte: Nutrição e Dietética

Uso Prolongado de Corticoides pode causar Diabetes e Hipertensão



Os anti-inflamatórios hormonais ou corticoides são medicamentos à base de hormônios que são produzidos pelas glândulas supra-renais.

Os principais corticoides de ação sistêmica vendidos no Brasil são: Prednisona, Dexametasona, Betametasona, Budesonida, Hidrocortisona, Deflazacorte, Triancinolona, Clobetasol.

Os corticoides são muito utilizados para tratar:

- Doenças do trato respiratório;
- Doenças dermatológicas;
- Doenças gastrointestinais;
- Doenças hepáticas;
- Edemas cerebrais;
- Alergias;
- Processos inflamatórios.


Uso prolongada de medicamentos corticosteroides leva à síndrome de Cushing

Características da Síndrome de Cushing:

- Desfiguração cosmética, que envolve ganho de peso com acúmulo de gordura;
- Redução da tolerância a carboidratos;
- Fragilidade vascular;
- Pele fina;
- Miopatia;
- Fraqueza muscular;
- Hipertensão arterial;
- Osteoporose;
- Maior suscetibilidade a infecções;
- Alterações psiquiátricas.

A síndrome de Cushing é uma desordem endócrina causada por níveis séricos elevados de glicocorticoides, especialmente cortisol, no sangue.

Nas mulheres são muito frequentes as alterações menstruais e o surgimento de pelos corporais na face, no tórax, no abdômen e nos braços e pernas. Além disso, pode também haver queda de cabelo semelhante à calvície masculina e diminuição das mamas.

Nos homens causa perda do interesse sexual. Como grande parte dos pacientes desenvolve hipertensão arterial e diabetes, podem surgir sintomas associados ao aumento da glicose e da pressão arterial tais como dor de cabeça, sede exagerada, aumento do volume urinário, aumento do apetite e visão borrada. Em caso de aumento exagerado de pelos, pode ocorrer também o surgimento de espinhas na face e no tronco.


Risco de Diabetes - Aumento de Glicose no Sangue

O uso prolongado de corticoides por via sistêmica (oral ou injetável ) está associado a um grande risco de diabetes a pacientes predisposto. A intolerância a glicose esta relacionada a um aumento da produção de glicose hepática, redução na utilização da glicose periférica e aumento da resistência da insulina, com inibição dos efeitos da insulina miócitos e adipócitos.


O uso constante pode causar aumento da Glicose no Sangue e Obesidade

Diminuição da utilização periférica de glicose.

Os glicocorticoides podem induzir o aparecimento de diabetes, que é considerado ser moderado, estável, usualmente sem cetose, relacionado com a dose e a duração da administração.

O diabetes na maioria das vezes é reversível com a parada da administração do corticoide, embora os indivíduos com predisposição genética possam permanecer diabéticos.

Neoglicogênese (produção de glicose a partir de substratos como aminoácidos, o que implica um importante efeito catabólico).

No nível hepático, os corticoides promove a deposição de glicogênio tendo efeito semelhante ao da insulina.

Com relação ao metabolismo lipídico, seu efeito agudo é de ativar a lipólise, mas em longo prazo, promove uma redistribuição característica do tecido adiposo que confere ao paciente o clássico aspecto de obesidade centrípeta, com ganho de peso.


Terapêutica com altas doses de corticoide podem provocar aumento do VLDL e LDL.


Causa Fraqueza e Osteoporose

No metabolismo proteico, os corticoides apresentam duas ações, isto dependendo da dose administrada: em doses fisiológicas atuam como agentes anabolizantes, incorporando proteína, mas em doses farmacológicas são francamente catabólicos, promovendo intenso desgaste proteico causando pele frágil, friável, fraqueza muscular intensa com redução de massa muscular e desgaste da matriz óssea implicando em mau desempenho no desenvolvimento da estatura em crianças em fase de crescimento.

O corticoide produz redução da massa muscular por inibição da síntese proteica e aumento do catabolismo proteico com balanço nitrogenado negativo.


Causa Perda de Cálcio

No sistema músculo-esquelético, os corticoides reduzem os osteoblastos e aumentam a atividade osteoclástica,com perda de massa óssea. Reduzem a absorção intestinal de cálcio, antagonizando os efeitos da vitamina D, promovem calciúria e levam a hiperparatireoidismo secundário, com aumento do paratormônio.

O efeito final desta série de eventos é uma pronunciada osteopenia seguida de osteoporose, fato que acontece mais acentuadamente em fase intensa de crescimento ósseo: adolescentes em fase de estirão são mais prejudicados por tais efeitos e meninas são mais afetadas que meninos.


Diminui o Crescimento em Crianças

Crianças que recebem excesso de corticosteroide exibem atraso no crescimento. Isto ocorre por efeito direto no esqueleto, diminuição da absorção de cálcio no intestino e efeito antianabólico e catabólico nas proteínas dos tecidos periféricos.
Os corticoides interferem com a secreção de GH e podem antagonizar diretamente algumas de suas ações periféricas.


Causa Edema


Os corticoides promovem aumento da reabsorção de Na+ e excreção de K+ pelo rim. Altas doses por tempo prolongado podem produzir alcalose metabólica hipocalêmica. Os glicocorticoides aumentam o "clearance" de água livre devido a um efeito direto no túbulo renal e a um aumento na taxa de filtração glomerular.

Os corticoides podem também inibir a secreção de hormônio antidiurético (ADH), mas não se sabe se diretamente ou por algum mecanismo indireto.


Leia aqui : Uso de dipirona pode diminuir a Imunidade e as Plaquetas



Fonte :EFEITOS METABÓLICOS E MANUSEIO CLÍNICO DOS CORTICOSTERÓIDES - Disponível em centrocochranedobrasil

PREVALÊNCIA E RISCOS DO USO INDISCRIMINADO DE CORTICÓIDES ORAIS SEM PRESCRIÇÃO MÉDICA DISPENSADOS EM ALGUMAS FARMÁCIAS COMERCIAIS DO MUNICÍPIO DE TRÊS LAGOAS MS-

Medicamentos contra-indicados para Portadores de Glaucoma



Glaucoma é o aumento da pressão intra-ocular que pode ocasionar lesão ao olho se não for tratado. A pressão intra-ocular aumentada pode comprimir os vasos sanguíneos que nutrem as sensíveis estruturas visuais do fundo do olho. Devido à falta de irrigação sanguínea, as células nervosas da retina e o nervo óptico vão morrendo provocando perda progressiva da visão e estreitamento do campo visual. Se o processo não for controlado pode levar à cegueira.

O exame para diagnosticar a doença, apesar de ser um pouco desconfortável, é rápido e pode ser feito no consultório do oftalmologista.

Leia aqui : Alimentos que melhoram a Visão


Sinas de Alerta


- Estreitamento da visão (visão em túnel)

- Diminuição da visão

- Visão nublada

- Dor nos olhos

Fatores de risco

-Idade acima de 40 anos

-História familiar de glaucoma

-Diabetes

-Uso prolongado de algumas medicações, como corticosteroides (Prednisona, Dexametasona, Betametasona).

No caso de glaucoma crônico ou glaucoma simples ou glaucoma do ângulo aberto, a maioria dos medicamentos tem pouca influência.

Já no caso do glaucoma do ângulo estreito, que é o ângulo da câmara anterior, a dilatação da pupila estreita mais ainda esse ângulo e a drenagem do humor aquoso fica difícil. Medicamentos que agem no sistema nervoso autônomo podem fazer com que a pupila se dilate comprometendo o escoamento do humor aquoso.

Leia aqui : Uso de dipirona pode diminuir a Imunidade e as Plaquetas

Medicamentos contra-indicados para glaucoma do ângulo estreito ou fechado:


- Antiespasmódicos contêm Escopolamina que pode causar pequena dilatação da pupila e, dependendo da anatomia do olho, elevar sua pressão interna por retenção do humor aquoso.


- Corticoides - Dexametasona, Prednisona, Betametasona - O uso prolongado dos corticosteróides pode produzir catarata subcapsular posterior, glaucoma com possível lesão dos nervos ópticos. É fundamental um controle das condições do cristalino e da pressão intra-ocular sempre que se usar tais medicamentos, principalmente sob a forma de colírios.


- Cloridrato de Difenidramina - Presente em Pastilhas.

- Descongestionante - Fenilefrina, Nafazolina, Pseudoefedrina - Presente em Anti-gripais.

- Medicamentos com ação anticolinérgica , a
ntidepressivos tricíclicos (Amitriptilina) - ADT, antipsicóticos de baixa potência (Alprazolam), antiparkinsonianos e inibidores da monoamino-oxidase - IMAO) podem precipitar crise de glaucoma de ângulo fechado, portanto devem ser evitados. 

- Anti-espasmódicos à base de derivados de beladona, atropina, homatropina, também merecem atenção especial, pois podem estar contra-indicados em pessoas portadoras de glaucoma de ângulo estreito ou fechado. Nestas situações a droga pode provocar uma midríase (pupila dilatada) elevando-se a pressão intra-ocular a patamares bastante elevados e desencadeando um quadro de glaucoma agudo que vai exigir um tratamento de urgência oftalmológica. 

- Anti-histamínicos - Dexclorfeniramina, Clorfeniramina, Doxilamina, Clemastina presente em xaropes antialérgicos, antitussígenos e antigripais.

- Dose elevada de Orfenadrina, Dimenidrinato, Prometazina pode ocasionar midríase e crise do fechamento angular agudo.

- Saiba quais colírios lubrificantes que não agridem as lentes de contato - Clique aqui

- Veja Aqui : Quando não devo usar Dorflex? O que pode causar?

- Leia aqui: Combinação perigosa: veja remédios que não se deve misturar



Canetas emagrecedoras podem causar perda de visão? Entenda a neuropatia óptica e os possíveis mecanismos


Medicamentos utilizados para diabetes tipo 2 e controle do peso, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, voltaram ao centro das discussões após notificações de problemas graves de visão em pessoas que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1.

No Brasil, a Anvisa acompanha notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) em usuários de medicamentos como semaglutida e tirzepatida. A existência de uma notificação, entretanto, não significa que o medicamento tenha sido comprovadamente responsável pelo problema. A relação causal ainda está sendo investigada. (Termômetro da Política)

O que é a neuropatia óptica isquêmica?

A NOIA pode ser entendida, de forma simplificada, como uma espécie de “infarto” da parte anterior do nervo óptico.

O nervo óptico funciona como um cabo que transmite as informações captadas pela retina até o cérebro.

Quando o fornecimento de sangue para essa região diminui de maneira significativa, as células nervosas podem sofrer falta de oxigênio e morrer.

Isso pode provocar:

  • perda súbita da visão;

  • redução da acuidade visual;

  • perda de parte do campo visual;

  • geralmente ausência de dor;

  • comprometimento de um dos olhos;

  • em alguns casos, perda visual permanente.

Mas como uma caneta emagrecedora poderia estar relacionada a esse problema?

Essa é justamente uma das questões que a ciência ainda está tentando esclarecer.

Não existe atualmente um mecanismo único comprovado. Algumas hipóteses, porém, merecem atenção.

1. Alteração da circulação do nervo óptico

O nervo óptico necessita de um fluxo sanguíneo adequado.

Se a perfusão cair em uma pessoa que já tenha uma circulação comprometida ou uma anatomia do nervo óptico particularmente vulnerável, teoricamente pode ocorrer isquemia.

Essa é a hipótese central da NOIA.

2. Queda da pressão arterial e redução da perfusão

Medicamentos GLP-1 podem promover perda de peso e alterações metabólicas importantes.

Em determinadas circunstâncias, principalmente quando existe desidratação, uso concomitante de medicamentos anti-hipertensivos ou outros fatores, uma redução excessiva da pressão arterial poderia diminuir a pressão de perfusão do nervo óptico.

Isso não significa que a hipotensão provocada pelo medicamento seja uma causa comprovada de NOIA. É uma possibilidade fisiológica que precisa ser melhor estudada.

3. Desidratação

Náuseas, vômitos e redução importante da ingestão de alimentos e líquidos podem ocorrer durante tratamentos com medicamentos GLP-1.

Uma desidratação importante pode reduzir o volume circulante e, consequentemente, interferir na perfusão de determinados tecidos.

Em uma pessoa já predisposta à NOIA, esse fator poderia teoricamente contribuir para o problema.

4. Alterações rápidas da glicemia

Existe ainda outro mecanismo que precisa ser separado da NOIA.

Em pessoas com diabetes e retinopatia diabética, uma redução muito rápida da glicemia e da hemoglobina glicada pode estar associada a uma piora transitória da retinopatia diabética.

Portanto, existem pelo menos dois fenômenos oculares diferentes que estão sendo discutidos:

NOIA → problema principalmente relacionado ao nervo óptico.

Retinopatia diabética → problema relacionado aos vasos sanguíneos e à retina.

Uma revisão publicada em 2026 observou que a piora da retinopatia parece estar mais relacionada à rapidez e à magnitude da redução da HbA1c do que a uma toxicidade direta do medicamento sobre a retina. (PubMed)

5. Pessoas com diabetes podem apresentar maior vulnerabilidade

Esse ponto é especialmente importante.

Diabetes, hipertensão, obesidade, apneia do sono e outras condições cardiovasculares já estão associadas a alterações vasculares e maior risco de problemas do nervo óptico.

Isso cria um problema para os pesquisadores:

a perda visual aconteceu por causa do medicamento ou porque a pessoa já apresentava vários fatores de risco?

Essa é uma das principais dificuldades para estabelecer uma relação de causa e efeito.

Uma revisão sistemática publicada em 2026 observou justamente essa possibilidade de confusão por indicação: pessoas que recebem semaglutida frequentemente apresentam diabetes, obesidade e doença cardiovascular, que por si só podem aumentar o risco de complicações. (PubMed)

O que dizem os estudos?

Os resultados ainda não são totalmente concordantes.

Uma meta-análise publicada em 2026 reuniu cinco estudos com mais de 1,5 milhão de pessoas e encontrou uma associação entre uso de semaglutida e maior risco de NOIA em comparação com pessoas que não utilizavam agonistas de GLP-1. Os próprios autores classificaram a certeza da evidência como baixa a moderada e destacaram a necessidade de novas pesquisas. (PubMed)

Por outro lado, uma revisão sistemática publicada anteriormente em 2026 encontrou resultados conflitantes entre grandes estudos observacionais e concluiu que os dados disponíveis ainda não demonstravam uma relação causal definitiva. (PubMed)

Portanto, a conclusão mais responsável neste momento é:

existe um sinal que merece investigação, mas ainda não está comprovado que as canetas emagrecedoras sejam a causa da neuropatia óptica em todos esses casos.

E a tirzepatida?

A tirzepatida também está sendo acompanhada dentro do cenário de farmacovigilância dos medicamentos GLP-1/GIP.

Entretanto, não é correto simplesmente transferir automaticamente os resultados encontrados com semaglutida para todos os medicamentos da classe.

Uma revisão de 2026 observou que os sinais relacionados à NOIA foram mais consistentes para a semaglutida subcutânea, enquanto os dados para tirzepatida e outros medicamentos ainda são mais limitados ou inconsistentes. (PubMed)

Existe diferença entre medicamento regular e produto clandestino?

Sim, e esse ponto merece atenção.

A Anvisa e a Polícia Federal também investigam produtos irregulares contendo agonistas de GLP-1. Foram identificados problemas relacionados à origem dos insumos, controle de qualidade, esterilidade, armazenamento e conservação de determinados produtos irregulares. (Serviços e Informações do Brasil)

Portanto, não se deve misturar automaticamente:

medicamento aprovado e utilizado conforme prescrição

com

produto falsificado, contrabandeado ou manipulado irregularmente.

Produtos de origem desconhecida podem apresentar riscos adicionais que não têm necessariamente relação com o princípio ativo aprovado.

Quais sintomas exigem atenção?

Uma alteração visual súbita nunca deve ser ignorada.

Procure atendimento médico rapidamente se ocorrer:

  • perda súbita da visão;

  • aparecimento repentino de uma área escura no campo visual;

  • perda de visão em um dos olhos;

  • redução importante e inesperada da acuidade visual;

  • alteração visual acompanhada de outros sintomas neurológicos.

A avaliação precoce é importante porque existem diversas causas possíveis de perda visual súbita, algumas delas emergenciais.

Então as pessoas devem parar as canetas?

A existência dessa investigação não significa que todas as pessoas que utilizam esses medicamentos devam interromper o tratamento por conta própria.

A decisão depende da indicação do medicamento, dos fatores de risco individuais, do histórico ocular e das condições de saúde de cada paciente.

Quem apresentar uma alteração visual súbita deve procurar atendimento médico imediatamente e informar todos os medicamentos utilizados.

Conclusão

A investigação sobre as canetas emagrecedoras e a perda de visão merece atenção, mas é importante evitar conclusões precipitadas.

O principal mecanismo estudado é a neuropatia óptica isquêmica, na qual ocorre comprometimento do suprimento sanguíneo do nervo óptico.

Entre os possíveis fatores envolvidos estão alterações na perfusão, pressão arterial, desidratação e características individuais do nervo óptico.

Em pessoas com diabetes, também é necessário considerar a possibilidade de alterações da retina associadas a uma redução muito rápida da glicemia.

A ciência ainda está tentando responder uma pergunta fundamental:

o medicamento é diretamente responsável pelo aumento do risco ou determinados pacientes que utilizam esses medicamentos já apresentam características que aumentam naturalmente o risco de perda visual?

Os estudos publicados em 2026 apresentam resultados diferentes. Por isso, novas pesquisas e o acompanhamento da farmacovigilância serão fundamentais para esclarecer essa relação.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou oftalmológica.